SINOP, MT 05 de agosto de 2020

PIB do país pode voltar a crescer só em 2018, alerta economista

Samuel de Abreu Pessôa ministrou palestra em MS nesta terça. Assunto foi debatido na Bienal dos Negócios da Agricultura.

PIB do país pode voltar a crescer só em 2018, alerta economista
02/09 2015 13:20 Fonte: Do G1 Imprimir

Em 2015 o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve amargar uma queda de 2,2%. Em 2016, uma retração de 0,1%. Para 2017 e 2018, o doutor em economia, professor da Fundação Getúlio Vargas e chefe do centro de Crescimento Econômico do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), Samuel de Abreu Pessôa, que fez essas projeções, disse que ainda não dispunha de dados para fazer essa análise, mas que se tivesse que apontar números diante do contexto atual indicaria 0% e 1%, respectivamente.

Pessôa foi um dos palestrantes da manhã desta terça-feira (1º), da Bienal dos Negócios da Agricultura no Brasil Central, que foi promovida no centro de convenções Rubens Gil da Camillo, em Campo Grande.

Pessôa disse que o país atravessa uma grave crise econômica em que a produção desacelerou antes da redução da demanda e atribuiu isso ao que chamou de esgotamento de duas agendas de política econômica. A primeira, seria a que denominou de contrato social do país, que representa a expansão dos gastos sociais.

“Desde a reinstauração da democracia, a sociedade tomou a decisão de construir um Brasil que ofereça a sua população um estado de bem estar no modelo europeu. Desequilibrado, o contrato social requer que o gasto público cresça anualmente 0,3 ponto percentual do PIB”, explica.

A segunda agenda de política econômica que teria se esgotado, segundo análise do economista, não seria uma agenda de estado, como a anterior, seria uma de governo, que teria sido adotada a partir de 2008, pelo grupo político que atualmente dirige o país e foi chamada por ele de “ensaio nacional desenvolvimentista” ou “nova matriz econômica”. Está alicerçada na visão da intervenção crescente do estado na economia para dirigir seu crescimento.

“Com a adoção dessa agenda, o estado passou a decidir a natureza do processo econômico, definido, por exemplo, quais setores da economia vão crescer, injetando dinheiro no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) e promovendo a desoneração tributária, entre outras medidas. Isso causou a desorganização da nossa produção”, avaliou.

Com o agravamento da crise e o esgotamento destas agendas, Pessôa diz que o governo percebeu que precisaria mudar sua política econômica e escolheu um economista experiente e como boa representatividade no mercado para fazer o ajuste, Joaquim Levy, mas que ele está tendo dificuldades para atingir seu objetivo.

“O ajuste apresentado por ele tem duas pernas. Na primeira ele está tendo bons resultados, que é promover o ajuste cíclico da economia. Estão sendo ajustados preços que estavam represados e foi assegurada a independência do Banco Central, entre outras medidas. Entretanto, na segunda perna, que é construir um superávit primário para estabilizar a dívida pública ele ainda não conseguiu”, comenta.