SINOP, MT 16 de outubro de 2018

Polícia indicia quatro jornalistas em MT por extorsão e violação de sigilo

Eles foram presos pela Polícia Civil na operação Liberdade de Extorsão. Um quinto jornalista chegou a ser preso, mas não foi indiciado pela Polícia.

Polícia indicia quatro jornalistas em MT por extorsão e violação de sigilo
23/03 2016 16:27 Fonte: Do G1 Imprimir

Quatro dos cinco jornalistas presos pela Polícia Civil no último dia 12, durante a operação "Liberdade de Extorsão", foram indiciados após o fim do inquérito pelos crimes de extorsão, violação de sigilo funcional e formação de organização criminosa. Conforme as investigações, por anos os jornalistas extorquiram pessoas – entre elas, autoridades, políticos e empresários – sob a ameaça de publicar em seus veículos de imprensa informações comprometedoras obtidas ilegalmente. Uma das vítimas do grupo teria sido o ex-secretário estadual Pedro Nadaf, atualmente preso por força das investigações da operação Sodoma.

Foram indiciados Antônio Carlos Millas de Oliveira, Max Feitosa Millas, Maycon Feitosa Millas e Naedson Martins da Silva. A reportagem não localizou os advogados de defesa dos indiciados para comentar o inquérito.

Antônio Carlos Millas de Oliveira é dono do Jornal Centro-Oeste Popular. Max, dono do Notícia Max, e Maycon são seus filhos. Já Naedson Martins da Silva é editor-chefe do Brasil Notícias, que tem sede em Brasília. Os três veículos de imprensa investigados são todos do grupo Millas Comunicação.

Outras duas pessoas presas no dia 12 foram o também jornalista Antônio Peres Pacheco e o auditor fiscal da Prefeitura de Cuiabá Walmir Correa, mas eles não foram indiciados porque a Polícia Civil, até o momento, não constatou o cometimento de qualquer crime por parte deles. Por força das investigações, a Justiça havia expedido mandados de prisão temporária (por prazo de cinco dias) contra eles, que já foram liberados após prestar esclarecimentos que, segundo a Polícia Civil, auxiliaram a condução do inquérito concluído nesta segunda-feira.

Por sua vez, todos os indiciados foram alvos de mandados de prisão preventiva cumpridos no dia 12. Ao menos dois deles já obtiveram da Justiça decisões decretando a concessão de liberdade provisória, mas a Polícia Civil não informou se já houve expedição e cumprimento de alvarás de soltura.

De acordo com inquérito concluído pela Polícia Civil, as vítimas do grupo eram coagidas a pagar quantias entre R$ 100 mil e R$ 300 mil. Para forçá-las, o grupo se utilizava de informações sigilosas, como indícios de irregularidades em contratos e casos de corrupção.

Parte das informações era obtida diretamente da base de dados da Prefeitura Municipal sobre a arrecadação do Imposto sobre Serviços (ISS). Os jornalistas conseguiam acessar o banco de dados por meio dos próprios computadores, usando login e senha de servidores públicos municipais. As investigações ainda devem continuar com base em informações de documentos apreendidos no dia 12 e outros crimes podem ser evidenciados.