SINOP, MT 05 de agosto de 2020

Dilma defende Lula; Taques contesta e cria "saia justa" para a presidente

Dilma defende Lula; Taques contesta e cria
07/03 2016 14:45 Fonte: Jacques Gosch Imprimir

O governador Pedro Taques (PSDB) colocou a presidente Dilma Rousseff (PT) em saia justa durante a reunião realizada em Brasília, na última sexta (04), para debater o alongamento da dívida pública dos estados. O episódio aconteceu quando a petista aproveitou a presença de 24 governadores e três vices para dizer que ficou “indignada” com o tratamento “desrespeitoso” dispensado a Lula por Sérgio Moro, juiz da Operação Lava Jato, que horas antes havia determinado a condução coercitiva do ex-presidente para depor na Polícia Federal.

“Entendo que não houve desrespeito, presidente. Ninguém está acima da lei”, retrucou Taques. A revelação foi feita pelo Blog do Jozias de Souza (leia aqui). Chamando Dilma de “presidente” e não de presidenta, como ela prefere, o tucano continuou: “Eu não sairia desta sala com a consciência tranquila e não respeitaria o bom povo de Mato Grosso, que me mandou aqui, se não expressasse minha opinião. Entendo que não houve abuso ou perseguição. Ninguém está acima da lei. Todos, inclusive eu, podemos ser investigados. A lei não pode servir para beneficiar amigos nem para prejudicar inimigos.”, completou,  deixando-a visivelmente constrangida.

Quando  Dilma usou o tempo para se defender das acusações do ex-líder do Governo no Senado Delcício do Amaral sobre a compra da Refinaria de Pasadena, no Texas, que causou prejuízo de US$ 800 milhões  no período em presidia o Conselho Administrativo da Petrobras,  Taques aproveitou para lembrar que assinou a representação que acabou arquivada pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot.

“Presidente, quero dizer a Vossa Excelência que eu, pessoalmente, redigi essa peça. Representei contra a senhora na Procuradoria. Meu nome está aí. Não posso esquecer o que assinei e redigi. Eu e colegas como Cristovam Buarque, Pedro Simon, Randolfe Rodrigues… Li a decisão do procurador-geral. Respeito a sua história. Mas não renego o que escrevi", disse Taques a Dilma, lembrando que já conhecia os argumentos utilizando na defesa.

Depois, Taques ainda contestou a proposta de recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e se retirou da reunião como forma de protesto.  “Não vou vender minha consciência e nem a do cidadão que me levou ao cargo de governador por pequenas parcelas”, concluiu.

Nenhum dos governadores presentes apoiou as falas do colega mato-grossense. O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), que também era senador e assinou a representação contra Dilma, preferiu o silêncio.